Biópsia do embrião e o sucesso da fertilização

Entrevista com Dr. Márcio Coslovskyphoto

 

Se assim como muitos casos, você e seu parceiro se decidiram pela reprodução assistida, vale a pena conhecer um  exame capaz de controlar as doenças geneticamente transmissíveis e aumentar as chances de implantação do embrião. Trata-se Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (PGD), também conhecido como biópsia embrionária, que detecta a genética do embrião e evita que os portadores de graves doenças genéticas ou cromossômicas sejam levados para o útero.

Para entender melhor essa história, o ginecologista Márcio Coslovsky, especialista em reprodução humana  e diretor médico da Primordia Medicina Reprodutiva, no Rio de Janeiro vai nos falar sobre o assunto.

 

Veja aqui os trechos mais importantes da nossa conversa:

 

Quando é indicado fazer essa biópsia e quanto custa, em média, esse procedimento?

Dr. Márcio Coslovsky- A biópsia é indicada para mulheres em que a gravidez representa risco, como as que possuem histórico de abortos espontâneos ou estão em idade de risco para gestação (a partir de 37 anos). Aqueles casais que possuem histórico de doenças geneticamente relacionadas também estão indicados. O tratamento todo da fertilização, incluindo a biópsia, custa em média R$ 20 mil.

Como são detectados os embriões doentes e quais as chances reais de a biópsia ajudar na gravidez?

 Dr. Márcio Coslovsky- Um bom embrião, ou seja, geneticamente normal, representa 2/3 das chances de gravidez. O restante fica por conta das condições de saúde da mãe, como idade, hipertensão e outras doenças que ela possa ter. Sabemos que a maior parte dos insucessos dos tratamentos de reprodução se deve a defeitos do embrião. Fazendo a biópsia, escolhemos somente os embriões de boa qualidade, o que já é meio caminho andado para o sucesso da gravidez. Na prática, fazemos uma abertura na zona pelúcida do embrião com um laser para retirada de uma ou mais células de cada embrião fertilizado, que seguem para análise genética. E ao contrário de 20 anos atrás, a biópsia não é mais realizada no terceiro dia, mas sim no quinto dia, que é quando o embrião está mais desenvolvido. Isso permite retirar não apenas uma ou duas células, como era feito, mas sim uma fatia de células, resultando numa análise mais completa. Os estudos mais atuais mostram que o exame nesta época apresenta resultados mais completos e diminui a probabilidade de abortamento ou não desenvolvimento do feto. No dia seguinte da análise já sabemos quais os embriões saudáveis ou não. Feito isso, os embriões são congelados e implantados na paciente apenas no ciclo seguinte. Essa conduta faz com que eles permaneçam estáveis e prontos para serem colocados no útero.

Se o embrião tiver alguma doença grave genética ou cromossômica, ela é detectada e esse embrião é descartado? 

 Dr. Márcio Coslovsky- Sim. O casal é comunicado dos possíveis problemas e decidirá o que fazer com os embriões. Em geral, os que possuem algum problema são descartados, mas existem pessoas que optam por doá-los para pesquisas com células-tronco. Vale ressaltar que todos os casais respondem um questionário, onde há perguntas sobre o histórico familiar de doenças geneticamente relacionadas, e todo problema detectado é informado ao casal, sendo que a clínica não realiza nenhuma ação sem consultá-los.

Quais são os riscos da biópsia? 

Dr. Márcio Coslovsky – A biópsia embrionária não oferece riscos, já é usada no Brasil e tem a aprovação do Conselho Federal de Medicina (CFM) nos casos em que há indicação médica, como os citados anteriormente.
Fonte: Mãe aos 40