O impacto da Idade no sonho da materniade

Adiar a concepção pode determinar o quadro de infertilidade

Dr. Isaac Moise Yadid

diretor da Clínica Primordia Medicina Reprodutiva

 

É notório que nos dias atuais as mulheres estão tendo seus filhos com idade mais avançada que no passado. A introdução da pílula anticoncepcional, na década de 1960, permitiu que elas tivessem a chance de se planejar, podendo se estruturar para entrar no mercado de trabalho, fazer pós-graduação ou doutorado e, assim, atingir a estabilidade. Mas isso pode acarretar aumento da infertilidade nas que retardam demais a maternidade.
Pesquisa recente feita nos EUA mostra que 42% das mulheres mais bem-sucedidas do país ainda não têm filhos aos 40 anos, e apenas 14% que concluem a faculdade já são mães. O fato mais preocupante é o de que nove em cada dez mulheres parecem acreditar que podem engravidar após 40 anos sem qualquer dificuldade.

 

Porém, a idade é fator vital. Ao nascimento, a mulher possui até dois milhões de óvulos, mas não haverá produção em vida, apenas consumo. Acredita-se que na puberdade o número seja da ordem de 500 mil, e seu declínio é inexorável até a menopausa. Por volta dos 37 anos a mulher possui 25 mil óvulos; aos 51 anos, apenas mil.
Estudos apontam que a fecundidade diminui de modo significativo a partir dos 32 anos e se intensifica a partir dos 37. Com o passar do tempo há maior risco de alterações e de abortamentos. Assim, em pacientes com mais de 37 anos, a investigação da infertilidade deve ter início após seis meses de tentativas naturais sem sucesso.

 

Com as alterações demonstradas, temos a necessidade de avaliar os casais e oferecer tratamentos que possam auxiliar pacientes em idade mais avançada. É necessário o conhecimento pelas mulheres de que o impacto na fertilidade com o passar dos anos é real, e que adiar a concepção pode determinar quadro de infertilidade. A medicina reprodutiva pode oferecer tratamentos com resultados satisfatórios, mas estes deveriam ser casos de exceção, o que não vem ocorrendo.

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