O ZIKA VÍRUS E OS TRATAMENTOS DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA

 

 

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American Society for Reproductive Medicine Issues Guidance Document on Zika Virus

 

A ASRM emitiu um novo documento “Orientação para os prestadores de cuidados para as mulheres e homens em idade reprodutiva com possível exposição ao vírus Zika”.  O relatório destina-se a ajudar os médicos e outros prestadores de cuidados de saúde que estão tratando e aconselhamento Pacientes preocupados com o impacto da Zika na reprodução.

Desenvolvido em grande parte a partir de documentos e relatórios dos Centros de Controle de Prevenção de Doenças (CDC) e a Food and Drug Administration (FDA), o relatório concentra-se em pacientes planejando a gravidez, testes e uso de gametas em pacientes submetidos a tratamentos de fertilidade.

 

Os principais pontos são:

 

*Homens e mulheres que tiveram os sintomas do Zika Vírus devem esperar pelo menos 6 meses antes de se submeterem a tratamentos de fertilização in vitro. O uso de preservativo é essencial para prevenir a contaminação.

*Homens e mulheres com possível exposição, devem fazer o teste para detecção no prazo de 2 semanas e repeti-lo em 8 semanas;

*Pacientes que pretendem se submeter a tratamentos de Reprodução Assistida, deverão realizar o teste e serem informadas sobre os possíveis riscos da doença na gestação e quais formas de prevenção.

Nos últimos tempos, mal se havia prestado atenção ao Zika Vírus desde seu surgimento. Agora ele está no centro de uma emergência mundial de saúde e revelou as deficiências da infraestrutura para combater epidemias. Não há vacinas ainda para prevenir o Zika, mas é possível fazer algumas coisas para “fugir” do vírus. As duas principais formas de prevenção ao Zika – e às outras doenças causadas pelo Aedes aegypti, como dengue e chikungunya – são acabar com os focos do mosquito (locais de água parada) e usar repelente para evitar a picada.

Depois de atingir a América do Sul, o zika se espalhou rapidamente. Para a maioria dos infectados por ele, os efeitos são passageiros. Mas entre as crianças nascidas de mulheres infectadas disparou o número de casos de microcefalia, condição que as leva a ter cabeças excepcionalmente pequenas, o que às vezes é acompanhado por anomalias cerebrais.

 

Afinal, o que sabemos e o que não sabemos?

 

A palavra de importância é: PREVENÇÃO

 

Formas de prevenção:

 

1)Elimine água parada – O mosquito precisa da água parada para colocar seus ovos, então qualquer lugar que possa acumular o mínimo de água pode virar um foco da doença. Isso inclui vasos de plantas, que às vezes ficam com água acumulada no prato, potes de água de animais domésticos, garrafas – elas devem sempre ser mantidas para baixo, assim como baldes -, e até poças de água da chuva no quintal ou na calçada. Privadas sem tampa também podem ajudar a proliferar o mosquito – é sempre preferível deixá-las com a tampa abaixada. É recomendável também limpar calhas várias vezes por semana e cobrir os reservatórios de água e piscinas, a não ser que eles sejam devidamente clorados (o cloro impede a reprodução dos mosquitos).

2) Use repelente – Para evitar ser picado pelo mosquito, a melhor estratégia é passar repelente em todas as partes expostas do corpo. O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomenda a utilização de repelentes à base de n-Dietil-meta-toluamida (DEET) ou icaridina. A orientação é que se aplique o repelente regularmente, seguindo as instruções na própria embalagem. Caso se utilize também o filtro solar, é importante passar o repelente depois porque o protetor pode “mascarar” seus efeitos. Mulheres grávidas também podem utilizar o repelente – mas é sempre bom conversar com o médico para ver qual seria o mais adequado. Por conta do risco de microcefalia, é importante que as grávidas em especial façam muito uso do repelente para evitar a picada do mosquito.

3) Use roupas compridas – A orientação para mulheres grávidas – é que utilizem roupas que deixem poucas partes do corpo expostas ao mosquito. Calças, blusas de manga comprida e roupas grossas para evitar que ao picada por cima delas – o que pode ser um desafio em meio ao verão de altas temperaturas no Brasil. Há também algumas roupas especiais que contêm permetrina, um inseticida sintético incorporado ao tecido, mas isso só está disponível para comprar em alguns países.

4) Casa “à prova de mosquito” – Sempre que possível, especialistas recomendam dormir atrás de “barreiras físicas”, como portas fechadas, janelas vedadas e telas de mosquito. Durante a noite, um mosquiteiro pode oferecer uma proteção extra. Mas é bom lembrar que o Aedes aegypti costuma agir mais durante o dia, então o cuidado deve ser permanente.

5) Lixo – O lixo doméstico também pode se tornar um terreno fértil para os mosquitos – porque é fácil acumular água nele. É necessário tomar precauções extras ao manusear o lixo. É importante mantê-lo em sacos plásticos sempre fechados. Pneus velhos e materiais de construção devem ser removidos de quintais – eles são um foco muito comum das larvas do mosquito.

6)Evitar viagens – Para os que vivem fora das áreas mais afetadas, é aconselhável evitar ir para regiões com maior incidência do mosquito e da doença – Pernambuco, Paraíba e Bahia são os Estados brasileiros mais afetados por enquanto, com mais casos de microcefalia reportados. Alguns governos chegaram até a recomendar que a população não viaje para os países que estão sofrendo mais com o problema. Nos Estados Unidos, por exemplo, a CDC pediu às mulheres grávidas que evitem viajar para a América Latina e para o Caribe por enquanto.

Sobre o Zika Vírus

 

O Zika Vírus (ZKV) é um vírus transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti (mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya) e o Aedes albopictus. O vírus Zika teve sua primeira aparição registrada em 1947, quando foi encontrado em macacos da Floresta Zika, em Uganda. Entretanto, somente em 1954 os primeiros casos em seres humanos foram relatados, na Nigéria. O vírus Zika atingiu a Oceania em 2007 e a Polinésia Francesa no ano de 2013. O Brasil notificou os primeiros casos de Zika vírus em 2015, no Rio Grande do Norte e na Bahia. Atualmente, sua presença já está documentada em cerca de 70 países.

As causas e as transmissões

 

O contágio principal pelo ZIKA VÍRUS se dá pela picada do mosquito que, após se alimentar com sangue de alguém contaminado, pode transportar o vírus durante toda a sua vida, transmitindo a doença para uma população que não possui anticorpos contra ele.

O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito adulto vive em média 45 dias. Uma vez que o indivíduo é picado, demora no geral de 3 a 12 dias para o Zika vírus causar sintomas.

 

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O vírus não é transmitido de pessoa para pessoa. O contágio se dá pelo mosquito que, após picar alguém contaminado.

A transmissão raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a temperatura mais propícia gira em torno de 30° a 32° C . Por isso ele se desenvolve preferencialmente em áreas tropicais e subtropicais. É importante lembrar que os ovos que carregam o embrião do mosquito transmissor da Zika Vírus podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes e a espera um ambiente úmido para se desenvolverem. Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito.

Demais formas de transmissão

 

A gestante pode transmitir o Zika Vírus para o feto durante a gravidez e essa forma de transmissão está relacionada a ocorrência de microcefalia e outros defeitos cerebrais graves do feto.

O Zika vírus pode ser transmitido através de relação sexual de uma pessoa com Zika para os seus parceiros ou parceiras, mesmo que a pessoa infectada não apresente os sintomas da doença.

Pessoas com a intenção ter filhos, que vivam em regiões de transmissão do Zika, devem conversar com o médico sobre medidas preventivas no pré e pós-concepção. Essa recomendação se torna ainda mais importante quando um dos indivíduos tem ou já teve o diagnóstico de Zika. Será necessário aguardar um período para reduzir o risco de transmissão de um indivíduo para o outro e eventualmente da mãe para o feto.

Os meios de transmissão saliva, urina ou leite materno ainda não foram confirmados, não existem relatos de que ocorra transmissão por essas vias.

Há ainda a possibilidade de transmissão por transfusão sanguínea e outros derivados, com o reporte de alguns casos no Brasil, nos quais a transmissão ocorreu provavelmente por esta via. Recentemente a Anvisa em conjunto com o Ministério da Saúde lançou um comunicado com algumas recomendações em relação a triagem clínica de doadores de sangue, que essencialmente estipulam prazos entre a ocorrência da doença ou contato sexual com alguém doente e a liberação para a doação de sangue.

 

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Fonte: ANVISA

Informações de links importantes:

Procedimento de fertilização in vitro passa a exigir teste do zika

Sobre o ZIKA VÍRUS – O que sabemos?

Gestantes – O que sabemos?